SS - Calvary (1661), Karel Dujardin

Calvário (1661), Karel Dujardin

Também chamada de Sexta-Feira da Paixão, é a data mais importante para o cristianismo, pois recorda o dia que Jesus assumiu as culpas da humanidade e venceu a dominação de satanás que tornava cativa a criação humana: “Em verdade, ele tomou sobre si nossas enfermidades, e carregou os nossos sofrimentos: e nós o reputávamos como um castigado, ferido por Deus e humilhado. Mas ele foi castigado por nossos crimes, e esmagado por nossas iniquidades; o castigo que nos salva pesou sobre ele; fomos curados graças às suas chagas. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, seguíamos cada qual nosso caminho; o Senhor fazia recair sobre ele o castigo das faltas de todos nós. Foi maltratado e resignou-se; não abriu a boca, como um cordeiro que se conduz ao matadouro, e uma ovelha muda nas mãos do tosquiador. (Ele não abriu a boca.) (Isaias 53, 4-7) Por nós, Jesus enfrentou as hostes infernais, onde nele se cumpriram as profecias sobre a vinda do Messias, e Els o Cristo tornou-se de uma vez por todas o sacrifício derradeiro que expiava de uma vez por todas a condenação dos homens: Por um iníquo julgamento foi arrebatado. Quem pensou em defender sua causa, quando foi suprimido da terra dos vivos, morto pelo pecado de meu povo? Foi-lhe dada sepultura ao lado de facínoras e ao morrer achava-se entre malfeitores, se bem que não haja cometido injustiça alguma, e em sua boca nunca tenha havido mentira. Mas aprouve ao Senhor esmagá-lo pelo sofrimento; se ele oferecer sua vida em sacrifício expiatório, terá uma posteridade duradoura, prolongará seus dias, e a vontade do Senhor será por ele realizada. Após suportar em sua pessoa os tormentos, alegrar-se-á de conhecê-lo até o enlevo. O Justo, meu Servo, justificará muitos homens, e tomará sobre si suas iniquidades. Eis por que lhe darei parte com os grandes, e ele dividirá a presa com os poderosos: porque ele próprio deu sua vida, e deixou-se colocar entre os criminosos, tomando sobre si os pecados de muitos homens, e intercedendo pelos culpados.” (Isaias 53, 8-12)

Assim o sexto dia da Semana Santa Ocidental ou Latina (Igreja do Ocidente), já que a Semana Santa Oriental (Igreja do Oriente), marca este dia como o sétimo, pois eles celebram o sábado anterior ao Domingo de Ramos como Sábado de Lazaro.

A sexta-feira é considerada um dia de guarda, pois relembra a Paixão e Morte de Jesus. É o segundo dia do Tríduo Pascal, neste dia não se celebra a Santa Missa, apenas a liturgia da palavra onde se recorda a hora da morte de Jesus com duas ‘celebrações’:

  • Sermão das 7 palavras, sendo iniciada as 14hs,
  • Celebração da paixão do Senhor, sempre se inicia as 15hs, para recordar o horário da morte de Jesus.

É o único dia do ano que não se celebra uma missa, não consagração, a comunhão dada aos fiéis é proveniente do dia anterior, Quinta-feira Santa.

Também é um dia de Jejum, assim como, a quarta-feira de cinzas.

A Liturgia

A liturgia deste dia é muito particular, sendo dividida em 3 partes distintas:

Liturgia da Palavra – O clero e os ministros entram na igreja em silêncio absoluto. Não há cantos, a igreja manifesta sua unidade com a lembrança do sofrimento de Jesus. Tem-se a oração da coleta e as leituras pertinentes ao dia:

  • Isaías 52,13-53:12,
  • Hebreus 4,14-16 e 5,7-9
  • Evangelho de João, recitado pelo padre e diácono, ou por leitores junto ao clero com participação de toda a comunidade.

Tem ainda as orationes sollemnes (orações solenes), várias orações proferidas pelo padre e pelo diácono onde se pede pela Igreja, pelo papa, pelo clero e os pelos leigos da Igreja, os que estão se preparando para o batismo, a unidade dos cristãos, os judeus, os que não acreditam em Cristo, os que não acreditam em Deus, os que prestam serviço público e os que precisam de ajuda imediata. Após as orações os fiéis se ajoelham.

Veneração da Cruz – Único dia em que a igreja dedica uma atenção mais do que especial a cruz, a veneração da cruz tem início com a entrada do sacerdote ou diácono pelo corredor central da igreja, onde a mesma vai sendo desembrulhada do pano que a envolveu durante a quaresma. Aos pés do altar a cruz é posta em um andor ou segurada por ministros ou diáconos, e aos sons de hinos pertinentes a cruz, os fiéis se dirigem até ela para dar um beijo no madeiro que se tornou sinal de salvação.

Liturgia Eucarística ou Comunhão – Como nesse dia não ocorre a consagração, tem se a comunhão com as hóstias consagradas na Quinta-feira Santa. Assim, as hóstias são transladadas da capela e levadas ao altar, separadas e levadas pelo sacerdote ou ministro eucarístico para ser distribuída aos fiéis de maneira corriqueira aos outros dias de celebração. Após a comunhão, são tiradas as toalhas do altar, permanecendo apenas um crucifixo.

Neste dia não há a benção final, o sacerdote despede a igreja conclamando a mesma a retornar no dia seguinte para a Vigília do Sábado Santo.

Particularidades da Sexta-feira Santa:

  • Coleta: As arrecadações da coleta desse dia costumam ser destinada para a manutenção da Igreja na Terra Santa
  • Feriado: Este dia é considerado um feriado nacional em muitos países pelo mundo todo e em grande parte do ocidente, especialmente as nações de maioria cristã.

Também na sexta-feira santa e comum a realização dos seguintes acontecimentos:

  • Procissão do Senhor Morto,
  • Via sacra ou via crusis
  • Encenação da Paixão de Cristo.

Equipe Mais de Deus

Referencias:

  • Fotos: ArtBible
  • Livros: Catecismo da Igreja Católica, Bíblia Católica, Pequeno Dicionário de Liturgia (Albet Urban/ Marion Bexten – Editora Santuário)
  • Site: Mais de Deus, Wikipédia.

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