Para se livrar do estigma de localidade bucólica ou caipira, sem modernidade, as cidades se renderam a “belezura” do asfalto, sinônimo da modernidade, trocaram quilômetros de ruas de paralelepípedos e lajotas para ter seus centros e seus bairros satélites ao centro asfaltados.

Trocaram as trepidações das pedras cortadas a mão que incomodavam alguns pelo asfalto, trocaram as lajotas e semelhantes que requeriam manutenção pelo asfalto.

Canalizaram córregos e rios e deram passagem aos carros com largas avenidas que fizeram o transito fluir melhor, criando áreas comerciais nos lugares de várzea. Como vimos em Belo Horizonte e outras grandes cidades brasileiras.

Sem contar que as áreas verdes dentro das cidades foram ocupadas e substituídas por grandes empreendimentos imobiliários e comerciais.

A consequência

O asfaltamento – A troca que parecia ser muito boa se tornou pior e mais cara, já que o paralelepípedo e a lajota captavam ao menos 30% da água da chuva o que equivale na pratica menos água nos rios. Agora gasta se mais para consertar os estragos das chuvas.

Canalização de córregos – A invasão dos leitos de córregos e rios impermeabilizou o leito e as áreas que os rios usavam como uma grande esponja. Com isso, as correntezas aumentadas pela impermeabilização das ruas quando em grande quantidade promovem estragos e alagamentos como vemos constantemente em São Paulo.

Desmatamento das cidades – Muitos falam preservar a Amazônia (isso é muito bom), mas ninguém fala em abrir um buraco na calçada e plantar uma arvore que ajuda a mandar água para o subsolo. O problema é que arvore produz lixo (lixo?), a nossa ignorância poderia ser usada em nosso favor já que as folhas coletadas poderiam ser usadas como adubo para pequenas hortas caseiras sem agrotóxicos.

Falta de interesse do poder público – A maior parte culpa está nas nossas políticas de praças e ruas e jardins que não valoriza a plantação de árvores em calcadas, e a criação de áreas verdes de mananciais e praças. Consequência disso está em ruas quentes e sem vida, com sensações térmicas insuportáveis e cuja altas temperaturas promovem um aquecimento que ajuda a precipitação de grandes tempestades.

Falta de consciência da população – O lixo gerado pelas pessoas e descartado de forma irregular nas ruas é outro ponto que joga contra o próprio ser humano, esse lixo jogado nas ruas vai para os bueiros causando entupimento, assoreando córregos e rios e impedindo a agua de fluir com facilidade.

Falta de política de descarte de lixo – Uma ação do poder público poderia ajudar a reaproveitar grande parte dos materiais que são descartados, que reciclados poderiam diminuir a quantidade de lixo nas ruas e o consequente problemas de enchentes.

Lixo retirado de bueiro

Se não fizermos a nossa parte (pararmos de jogar lixo nas ruas, estradas, praças e jardins), bem como, olharmos as árvores como nossas amigas e plantarmos pelo menos uma árvore por pessoa tudo continuará igual.

Se não cobrarmos das autoridades uma mudança na forma de planejamento das cidades e, se não buscarmos alternativas para a impermeabilização de nossas cidades o problema vai continuar. E as tragedias vistas em BH, São Paulo e outras cidades também continuarão com prejuízos e até mortes de pessoas que conhecemos. Não espere o problema atingir você para fazer algo!

Penso que quem não planta uma arvore não deveria ter direito a uma sombra!

Ricardo Mari – Equipe Mais de Deus

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