Através da palavra de Deus conseguimos algumas pistas de como era a relação de Jesus com os seus discípulos e principalmente com os apóstolos. A bíblia nos permite ver algumas atitudes muito singulares do dia a dia de Jesus com seus amigos mais próximos:

A AMIZADE (Jesus os tratava como amigos) – O evangelho de São João 15, 15; assim descreve: “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor. Mas chamei-vos amigos, pois vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai.” Uma relação de amizade e companheirismo, do mestre que quer ensinar e transmitir o maior conhecimento possível para seus amigos.

A VALORIZAÇÃO (Valorizava os seus discípulos) – Com palavras firmes de animo o evangelista São Lucas narra um episódio no capitulo 5, 8-10; onde Pedro envergonhado com a ajuda de Jesus (talvez Pedro tenha andado um pouco displicente com as coisas naqueles dias) e recebe um sinal forte de que Jesus confiava nele: “Vendo isso, Simão Pedro caiu aos pés de Jesus e exclamou: Retira-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador. É que tanto ele como seus companheiros estavam assombrados por causa da pesca que haviam feito. O mesmo acontecera a Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram seus companheiros. Então Jesus disse a Simão: Não temas; doravante serás pescador de homens”

A CONFIANÇA (Clamava para confiar N’Ele) – Em um determinado momento antes da sua paixão Jesus coloca aos discípulos que a situação está sob controle e que não devia ter medo, mas confiar: “Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim.” Ao descrever isso no capitulo 14,1,

OS CUIDADOS com o futuro (Jesus se preocupava com os seus) – São João vai mais longe, ao dizer que Jesus não esqueceria dos seus: “Depois de ir e vos preparar um lugar, voltarei e tomar-vos-ei comigo, para que, onde eu estou, também vós estejais.” (Evangelho de São João 14, 3) Aqui temos uma prova perene de que Jesus não os abandonaria.

OUVIA OS DISCÍPULOS (Jesus estava sempre pronto para ouvir) – são Marcos narra no capitulo 6, verso 30 que Jesus estava sempre pronto para ouvir o que seus amigos tinham feito ou presenciado, certamente ouvia também, seus medos e suas preocupações: “Os apóstolos voltaram para junto de Jesus e contaram-lhe tudo o que haviam feito e ensinado”.

Christ Blessing the Children (1652-53), Nicolaes Maes

Cristo abençoa as crianças (1652-53), Nicolaes Maes

REPREENDE QUANDO É PRECISO (O caso das crianças) – Foi assim, quando os discípulos tentaram impedir crianças de se aproximarem de Jesus.

Essa repreensão narrada por Marcos, não foi algo duro, mas muito mais educativo, Jesus entendeu que os discípulos queriam poupa-lo de uma jornada dura. No entanto, Jesus estava ali por aqueles mais pequenos (tanto crianças, como homens sem grandeza na sociedade); assim, a repreensão visava mostrar que Jesus estava sempre de prontidão para qualquer um que a ele quisesse se achegar: “Apresentaram-lhe então crianças para que as tocasse; mas os discípulos repreendiam os que as apresentavam. Vendo-o, Jesus indignou-se e disse-lhes: “Deixai vir a mim os pequeninos e não os impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se lhes assemelham. Em verdade vos digo: todo o que não receber o Reino de Deus com a mentalidade de uma criança, nele não entrará.” Em seguida, ele as abraçou e as abençoou, impondo-lhes as mãos.” (Evangelho de São Marcos 10, 13-16)

OS CUIDADOS COM A SAÚDE (ele sabia que os discípulos precisavam se alimentar) – Jesus tinha uma preocupação com os discípulos, sabia que apesar de estarem próximos de D’Ele, não tinham a mesma preparação físico–espiritual e precisavam de alimento. Assim, São Marcos 6, 31-32 transcreve: “…Vinde à parte, para algum lugar deserto, e descansai um pouco. Porque eram muitos os que iam e vinham e nem tinham tempo para comer. Partiram na barca para um lugar solitário, à parte”  Esse acontecimento se deu logo apos um serviço evangelístico dos apóstolos.

A SEGURANÇA (Dava segurança aos discípulos) – Jesus ao prometer a sua paz não só apascentava os corações como também dava segurança aos seus amigos: “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como o mundo a dá. Não se perturbe o vosso coração, nem se atemorize!” Evangelho de João 14,27.

ESTAVA SEMPRE POR PERTO (mesmo quando parecia ausente, Jesus estava mais perto do que nunca) – Foi assim quando os discípulos estavam no lago e Jesus em Terra, ao ver o esforço dos discípulos Jesus foi até eles: “pois todos o viram e se assustaram. Mas ele logo lhes falou: Tranquilizai-vos, sou eu; não vos assusteis! E subiu para a barca, junto deles, e o vento cessou. Todos se achavam tomados de um extremo pavor,” (São Marcos 6, 50-51). Mesmo que não aparente, Jesus sempre estava e está presente na vida dos seus amigos.

Trasfigurazione, Girolamo Savoldo

Trasfigurazione, Girolamo Savoldo (1530)

A INTIMIDADE (A amizade gerava confiança) – Aqui no evangelho de São Mateus 17, 1-9; Jesus dá uma prova de confiança e intimidade com seus discípulos: “Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e conduziu-os à parte a uma alta montanha. Lá se transfigurou na presença deles: seu rosto brilhou como o sol, suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura. E eis que apareceram Moisés e Elias conversando com ele. Pedro tomou então a palavra e disse-lhe: Senhor, é bom estarmos aqui. Se queres, farei aqui três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias. Falava ele ainda, quando veio uma nuvem luminosa e os envolveu. E daquela nuvem fez-se ouvir uma voz que dizia: Eis o meu Filho muito amado, em quem pus toda minha afeição; ouvi-o. Ouvindo esta voz, os discípulos caíram com a face por terra e tiveram medo. Mas Jesus aproximou-se deles e tocou-os, dizendo: Levantai-vos e não temais. Eles levantaram os olhos e não viram mais ninguém, senão unicamente Jesus. E, quando desciam, Jesus lhes fez esta proibição: Não conteis a ninguém o que vistes, até que o Filho do Homem ressuscite dos mortos.” A transfiguração representa certamente um momento de intimidade de Jesus com seus discípulos, onde ele se mostra verdadeiramente aos mais íntimos, sim Jesus tinha vários discípulos e amigos, mas Pedro, Tiago e João eram os amigos íntimos, eles foram os únicos que estavam nos momentos mais difíceis de Jesus.

Compaixão (Jesus se compadecia do povo) – O evangelho de São Mateus 15, 32 diz: “Jesus, porém, reuniu os seus discípulos e disse-lhes: Tenho piedade desta multidão: eis que há três dias está perto de mim e não tem nada para comer. Não quero despedi-la em jejum, para que não desfaleça no caminho.” Para com todos a preocupação pelo bem-estar das pessoas estava presente na vida de Jesus, Ele sabia que muitos não tinham nada e Ele precisava dar algo para eles

Christ Washing the Feet of the Disciples (1580), Paolo Veronese

Cristo lava os pés dos discípulos (1580), Paolo Veronese

A HUMILDADE (Jesus dá exemplo aos discípulos, estando sempre pronto a servir) – Certamente Jesus é o maior pedagogo da história, São João narra no capitulo 13, do 3 ao 9 verso como Jesus era capaz de surpreender seus apóstolos a todo momento: “sabendo Jesus que o Pai tudo lhe dera nas mãos, e que saíra de Deus e para Deus voltava, levantou-se da mesa, depôs as suas vestes e, pegando duma toalha, cingiu-se com ela. Em seguida, deitou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido. Chegou a Simão Pedro. Mas Pedro lhe disse: Senhor, queres lavar-me os pés!… Respondeu-lhe Jesus: O que faço não compreendes agora, mas compreendê-lo-ás em breve. Disse-lhe Pedro: Jamais me lavarás os pés!… Respondeu-lhe Jesus: Se eu não tos lavar, não terás parte comigo. Exclamou então Simão Pedro: Senhor, não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça.” É a liderança servil, daquele que não tem medo de se mostrar menor perante os outros. Foi assim, no evento que abre a sua paixão (O lava-pés)

Equipe Mais de Deus

Ver também:

Referências:

  • Site: Wikipédia / Artebible
  • Livros: Bíblia Católica, Catecismo da Igreja Católica e Youcat.