Além das narrativas de Paulo, que foram escritas após a crucificação de Jesus e que se configuram em um material que evidencia historicamente o ministério e a vida de Jesus. Podemos citar também narrativas históricas escritas a partir do Século 1 D.C. Essas provas extra bíblicas da existência de Jesus, foram escritas em sua maioria e/ou totalidade, por autores alheios ao cristianismo que nascia, são testemunhos que atestam a existência histórica do homem Jesus. Homem esse, que também exerceu um papel de liderança, o qual, possibilitou ao seu movimento ‘místico’ perpetuar-se por milhares de anos após a sua partida:

tacito01 – Narrativa de Públio Cornélio Tácito, historiador e governador da Ásia em 112 D.C.

  • “…os cristãos. Esse nome lhe vem de Cristo, que, sob o principado de Tibério, o procurador Pôncio Pilatos entregara ao suplício…”

Abaixo vemos um texto mais completo sobre o fato em questão acima, que trata do incêndio de Roma ordenado por Nero e cuja culpa fora imposta aos cristãos.

“Mas nem todo o socorro que uma pessoa poderia ter prestado, nem todas as recompensas que um príncipe poderia ter dado, nem todos os sacrifícios que puderam ser feitos aos deuses, permitiram que Nero se visse livre da infâmia da suspeita de ter ordenado o grande incêndio, o incêndio de Roma. De modo que, para acabar com os rumores, acusou falsamente as pessoas comumente chamadas de cristãs, que eram odiadas por suas atrocidades, e as puniu com as mais terríveis torturas. ‘Christus, o que deu origem ao nome cristão, foi condenado à extrema punição [i.e crucificação] por Pôncio Pilatos, durante o reinado de Tibério’; mas, reprimida por algum tempo, a superstição perniciosa irrompeu novamente, não apenas em toda a Judeia, onde o problema teve início, mas também em toda a cidade de Roma” – (TACITUS, Cornelius, Annales ab excesso div August. Charles D Fisher, Clarendon Press, Oxford, 1906)

02 – Narrativa de Tertuliano, jurista e Teólogo de Cartago 197 D.C.

  • “Tibério, tendo ele mesmo recebido informações sabre a verdade da divindade de Cristo, trouxe a questão perante o Senado…”

 

josefo-retratado-em-um-entalhe-de-cobre-de-173703 – Narrativa de Flávio Josefo – Historiador Romano (37- 100 D.C.)

  • “Havia por esses dias um homem sábio, Jesus, se é que é lícito chama-lo de homem… ele era Cristo; e havendo Pilatos por sugestão dos principais do nosso meio, o sentenciado à cruz, aqueles que antes o amavam não o abandonaram, pois apareceu-lhes vivo novamente ao terceiro dia…”

No texto a seguir encontramos o depoimento de Flavio Josefo no livro História dos Hebreus: “Nesse mesmo tempo apareceu Jesus, que era um homem sábio, se todavia devemos considera-lo simplesmente como um homem, tanto suas obras eram admiráveis. Ele ensinava os que tinham prazer em ser instruídos na verdade e foi seguido não somente por muitos judeus, mas mesmo por muitos gentios. Ele era o Cristo. Os mais ilustres da nossa nação acusaram-no perante Pilatos e ele fê-lo crucificar. Os que o haviam amado durante a vida não o abandonaram depois da morte. Ele lhes apareceu ressuscitado e vivo no terceiro dia, como os santos profetas o tinham predito e que ele faria muitos outros milagres. É dele que os cristãos, que vemos ainda hoje, tiraram seu nome” – (JOSEFO, Flávio, História dos Judeus – CPAD, 2000, pp.418)

 

04 – Narrativa de Públio Lêntulo – O governador da Judeia (32 D.C.) – carta ao Senado Romano no ano 32, descrevendo um retrato falado de Jesus.

  • “Enquanto vos escrevo, existe aqui um homem de singular virtude, que se chama Jesus. Os bárbaros o têm em conta de profeta, mas os seguidores o adoram como filho de deuses imortais: ressuscita mortos e cura enfermos, falando-lhes e tocando-os. É de estatura elevada e bem conformada; de aspecto ingênuo e venerável. Caem-lhe os cabelos em anéis até debaixo das orelhas, e espalham-se com uma graça infinita, trazendo-os à moda dos nazarenos. Tem fronte larga, espaçosa e a faces coloridas de amável rubor. O nariz e a boca, de uma admirável regularidade. A barba, da mesma cor dos cabelos, desce-lhe espessa até ao peito, bipartida à semelhança de forquilha. Os olhos brilhantes, claros e pequenos. Prega com majestade; e suas exortações são cheias de brandura. Fala com muita eloquência e gravidade. … Muitos o viram chorar não poucas vezes. É sobre tudo sábio, moderado e modesto. Um homem, enfim, que por suas divinas perfeições se eleva acima de todos os filhos dos homens”.

 

05 – Narrativa de Luciano de Samósata -filósofo grego do século 2.

  • “Os Cristãos, vocês sabem, adoram um homem até hoje — esse personagem distinto que introduziu seus rituais fora do comum e foi crucificado por causa disso… Sabe, essas criaturas equivocadas começaram com a convicção geral de que são imortais para sempre, o que explica o desprezo da morte e a auto dedicação voluntária que são tão comuns entre eles; e então eles foram ensinados por seu legislador original que são todos irmãos a partir do momento em que são convertidos e negam os deuses da Grécia, adoram o sábio crucificado e vivem de acordo com suas leis. Tudo isso eles levam muito em fé, causando como resultado o desprezo de todos os bens materiais semelhantes, considerando-os apenas como propriedade comum.

 

plinio-o-jovem06 – Narrativa de Plínio, o jovem – governador romano da Bitínia – enviada a Trajano, imperador de Roma entre 98 e 117 D.C.

O texto abaixo destaca um trecho da carta de Plínio, denominada Carta ao imperador Trajano de Roma pedindo conselhos sobre como lidar com os Cristãos:

  • “Afirmaram, no entanto, que toda a sua culpa, ou o seu erro, foi que tinham o hábito de reunião em um determinado dia fixo antes do amanhecer do dia, quando cantavam em versos alternados um hino a Cristo, como a um deus, e vincularam-se por um juramento solene, não a qualquer maldade, mas a nunca cometer qualquer fraude, roubo ou adultério, nunca falsificar a sua palavra, nem deixar de entregar uma relação de confiança quando necessário; após essa reunião, era o seu costume se separar para então se reunir novamente e dividir os alimentos – mas a comida de um tipo comum e inocente…”  (Plínio, Epístola 96).

 

07 – Narrativa de Mara Bar-Serapião – filósofo estoico da província romana da Síria – carta escrita no ano 73 D.C.

  • “…Que vantagem os judeus obtiveram com a execução do seu sábio rei? Foi logo após esse acontecimento que o reino dos judeus foi aniquilado.” E completa: “Nem o sábio rei está morto; ele sobrevive nos ensinos que deixou”

 

O Talmude

Além das narrativas podemos apreciar uma outra fonte de igual relevância que é o Talmude da Babilônia (Sanhedrin 43 a), o qual relata a crucificação de Jesus na véspera da Páscoa, bem como acusa Jesus de fazer uso de magia e encorajar a apostasia dos judeus. Os textos do Talmude foram escritos e preservados pelos judeus, sem ligação alguma com os cristãos.

Por mais incrível que parece, no Talmude encontra-se registrados os milagres de Jesus e sua crucificação em sintonia e concordância com  as narrativas dos evangelhos de Lucas 22 e João 19, 31. , além do terremoto acontecido em Jerusalém na ocasião da morte de Jesus (Mateus 27, 51). Sendo assim, o Talmude se configura como uma grande prova histórica da existência de cristo.

Ver também:

Referências:

Sites:

Livros: Bíblia Católica, Catecismo da Igreja Católica, História dos Hebreus, Tacitus e  Youcat.