Num gélido inverno do ano de 1300, um sacerdote beneditino estava celebrando a Santa Missa numa capela lateral na igreja do convento de O Cebreiro, Espanha, no “Caminho de Santiago”. Ele pensava que naquele dia tão cruel que nevava abundantemente e o vento era insuportável, ninguém teria coragem de sair de casa para ir à Missa, mas se equivocava.  Um camponês de Barxamaior (Barja-Mayor), a cerca de um quilometro de distância, chamado Juan Santín, subiu ao convento para ouvir a Missa. O sacerdote que tinha dúvidas sobre a presença real de Cristo no Santíssimo Sacramento, olhou com desdém o sacrifício e a boa vontade do camponês e com esse sentimento começou a celebrar a Missa. O sacerdote, ao vê-lo, murmurou com desprezo: “Como vem este homem debaixo desta tempestade, cansado, apenas para ver um pouco de pão e vinho!”, e com esse sentimento começou a celebrar a Missa. 

O padre vinha tendo sérias dúvidas sobre a real presença de Cristo na Hóstia consagrada. 

ASSIM QUE ELE PRONUNCIOU AS PALAVRAS DA CONSAGRAÇÃO, A HÓSTIA SE CONVERTEU EM CARNE E O VINHO EM SANGUE, QUE COMEÇOU A TRANSBORDAR DO CÁLICE MANCHANDO O CORPORAL.

Parece que até a cabeça da estátua de Nossa Senhora abaixou-se em sinal de adoração no momento do Milagre.

O povo hoje chama a estátua “Nossa Senhora do Santo Milagre”.

O Senhor quis abrir os olhos do sacerdote incrédulo que tinha duvidado, e recompensar a grande devoção do camponês.

Durante quase duzentos anos a Hóstia transformada em Carne ficou guardada em cima da Patena.

Mas, em 1486, numa peregrinação da Rainha Isabel e do Rei a Santiago de Compostela, eles se hospedaram em O’ Cebreiro e tomaram conhecimento do Milagre e mandaram confeccionar um valioso relicário de cristal, sob medida, para guardar a Hóstia Milagrosa.

O relicário pode ser visto na foto abaixo.

Atualmente a Hóstia, o Cálice e a Patena, podem ser venerados na igreja do Milagre (abaixo).

Igreja O’Cebrero

Os restos mortais do monge e do campesino repousam em mausoléus na igreja, perto do lugar do milagre. 

Todos os anos, no dia da festa de Corpus Christi, no dia 15 de agosto e no dia 8 de setembro, as Relíquias do Prodígio e a Estátua de Nossa Senhora saem em Procissão. Entre os documentos que dão testemunho do Milagre, recordamos a Bula do Papa Inocêncio VIII do ano de 1487 e do Papa Alexandre VI do ano de 1496 e um resumo de certo padre Yepes, que,  nos primeiros anos do século XVII escrevia: “Eu, mesmo sendo indigno, vi e adorei o santo milagre, vi as duas ampolas, em uma delas está o sangue, que parece recém coagulado, vermelho como de um cabrito recém sacrificado; vi também a carne, que é vermelha e seca”. 

Juan Santín, o campesino por cuja fé se operou o milagre, viveu em uma aldeia à sombra de Cebreiro, chamada “Barxamaior”. Todas as manhãs aparece coberta de neblina. A foto abaixo mostra a vista que se tem de Cebreiro da área onde tinha sua casa o campesino. Na foto abaixo você pode ver uma panorâmica do local onde Juan teve que subir para chegar à igreja naquele dia gelado de inverno, caminhando pela neve.  

Imagem panorâmica da cidade

Os monges beneditinos levantaram e custodiaram o templo desde o ano de 836 até 1853, por mais de mil anos. Os monges de Aurillac, chamados por Alfonso VI, permaneceram em O’ Cebreiro de 1072 a 1487, data em que os Reis Católicos obtiveram do Papa sua anexação a “San Benito el Real” de Valladolid. Os monges abandonaram O’ Cebreiro em 1853, por causa da desamortização de Mendizábal. Segundo algumas fontes, o mosteiro foi varrido pelos ventos pós-conciliares, abaixo foto de inverno de O’Cebreiro: 


O Cálice de O’ Cebreiro é chamado de “Santo Graal Galego“:

cálice

Atualmente, O’ Cebreiro continua sendo uma pequena aldeia. Seu grande tesouro é ainda a Igreja do Milagre Eucarístico, de feitura pré-românica, do século IX, com três simples naves de ábsides retangulares e uma torre. No centro do presbitério há uma imagem de um Cristo Gótico. 
Mais fotos do interior da Igreja:

Interior da Igreja
Altar da Igreja
  • Livros: O milagre e os Milagres Eucarísticos, The Real Presence; em PDF; em inglês.  
  • Sites: The real presence

Leia também: