Jesus em Jerusalem

Entrada de Cristo em Jerusalém (1617), Anthony van Dyck

Também chamado de Domingo de Ramos. A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém é considerado um evento de grande significância e representa o momento no qual Jesus se auto afirma como Messias e Rei de Israel, é o cumprimento da profecia do Antigo Testamento, onde o profeta Zacarias no capitulo 9, 9 descreve a seguinte passagem: “Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém: eis aí te vem o teu Rei, justo e salvador, humilde, montado em jumento, num jumentinho, cria de jumenta.” Na ocasião os as multidões estendiam seus mantos e os seus ramos no chão para que o messias passasse, e ao mesmo tempo o saudavam dizendo: “Hosana ao filho de Davi! Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto dos céus!”  (Evangelho de São Mateus 21, 9e.)

A aclamação do povo a pessoa de Jesus representa também o reconhecimento por parte da população de que um grande profeta estava ali, ainda que as pessoas esperassem de Jesus um libertador temporal e não imaginavam o tipo de libertação que ele viria trazer.

Consumando assim, o que Jesus já havia dito: “O meu Reino não é deste mundo. Se o meu Reino fosse deste mundo, os meus súditos certamente teriam pelejado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu Reino não é deste mundo”. (Evangelho de São João 18, 36).

Jesus veio para dar testemunho da verdade, (Cf. São João 18, 37) a verdade da salvação.

A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, é a celebração que marca o momento que Jesus é aclamado ao entrar na cidade eterna, também chamado de “domingo de Ramos”, pelo fato das pessoas O terem o aclamado com ramos nas mãos.

Esse evento antecede o drama da paixão de Cristo, marca o início da Semana Santa e é relatado pelos quatro evangelistas.

Assim, neste momento da vida de Jesus, o Cristo foi aclamado por uma multidão nas ruas de Jerusalém:

“Aproximavam-se de Jerusalém. Quando chegaram a Betfagé, perto do monte das Oliveiras, Jesus enviou dois de seus discípulos, dizendo-lhes: Ide à aldeia que está defronte. Encontrareis logo uma jumenta amarrada e com ela seu jumentinho. Desamarrai-os e trazei-mos. Se alguém vos disser qualquer coisa, respondei-lhe que o Senhor necessita deles e que ele sem demora os devolverá. Assim, neste acontecimento, cumpria-se o oráculo do profeta: Dizei à filha de Sião: Eis que teu rei vem a ti, cheio de doçura, montado numa jumenta, num jumentinho, filho da que leva o jugo (Zc 9,9). Os discípulos foram e executaram a ordem de Jesus. Trouxeram a jumenta e o jumentinho, cobriram-nos com seus mantos e fizeram-no montar. Então a multidão estendia os mantos pelo caminho, cortava ramos de árvores e espalhava-os pela estrada. E toda aquela multidão, que o precedia e que o seguia, clamava: Hosana ao filho de Davi! Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto dos céus! Quando ele entrou em Jerusalém, alvoroçou-se toda a cidade, perguntando: Quem é este? A multidão respondia: É Jesus, o profeta de Nazaré da Galileia.”
“Jesus e seus discípulos aproximavam-se de Jerusalém e chegaram aos arredores de Betfagé e de Betânia, perto do monte das Oliveiras. Desse lugar Jesus enviou dois dos seus discípulos, dizendo-lhes: “Ide à aldeia que está defronte de vós e, logo ao entrardes nela, achareis preso um jumentinho, em que não montou ainda homem algum; desprendei-o e trazei-mo. E se alguém vos perguntar: Que fazeis?, dizei: O Senhor precisa dele, mas daqui a pouco o devolverá.” Indo eles, acharam o jumentinho atado fora, diante duma porta, na curva do caminho. Iam-no desprendendo, quando alguns dos que ali estavam perguntaram: “Ei, que estais fazendo? Por que soltais o jumentinho?” Responderam como Jesus lhes havia ordenado; e deixaram-no levar. Conduziram a Jesus o jumentinho, cobriram-no com seus mantos, e Jesus montou nele. Muitos estendiam seus mantos no caminho; outros cortavam ramos das árvores e espalhavam-nos, pelo chão. Tanto os que precediam como os que iam atrás clamavam: “Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor! O Bendito o Reino que vai começar, o reino de Davi, nosso pai! Hosana no mais alto dos céus!” Jesus entrou em Jerusalém e dirigiu-se ao templo. Aí lançou-os olhos para tudo o que o cercava. Depois, como já fosse tarde, voltou para Betânia com os Doze.”
“Chegando perto de Betfagé e de Betânia, junto do monte chamado das Oliveiras, Jesus enviou dois dos seus discípulos e disse-lhes: Ide a essa aldeia que está defronte de vós. Entrando nela, achareis um jumentinho atado, em que nunca montou pessoa alguma; desprendei-o e trazei-mo. Se alguém vos perguntar por que o soltais, responder-lhe-eis assim: O Senhor precisa dele. Partiram os dois discípulos e acharam tudo como Jesus tinha dito. Quando desprendiam o jumentinho, perguntaram-lhes seus donos: Por que fazeis isto? Eles responderam: O Senhor precisa dele. E trouxeram a Jesus o jumentinho, sobre o qual deitaram seus mantos e fizeram Jesus montar. À sua passagem, muitas pessoas estendiam seus mantos no caminho. Quando já se ia aproximando da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos, tomada de alegria, começou a louvar a Deus em altas vozes, por todas as maravilhas que tinha visto. E dizia: Bendito o rei que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória no mais alto dos céus!”
“No dia seguinte, uma grande multidão que tinha vindo à festa em Jerusalém ouviu dizer que Jesus se ia aproximando. Saíram-lhe ao encontro com ramos de palmas, exclamando: Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor, o rei de Israel! Tendo Jesus encontrado um jumentinho, montou nele, segundo o que está escrito: Não temas, filha de Sião, eis que vem o teu rei montado num filho de jumenta (Zacarias 9,9). Os seus discípulos a princípio não compreendiam essas coisas, mas, quando Jesus foi glorificado, então se lembraram de que isto estava escrito a seu respeito e de que assim lho fizeram. A multidão, pois, que se achava com ele, quando chamara Lázaro do sepulcro e o ressuscitara, aclamava-o.”

No Ocidente

Logo no início da celebração, os ramos dos fiéis são abençoados pelo sacerdote, diácono ou ministros autorizados que aspergem água benta.

Leem-se as primeiras leituras bíblicas e proclama-se o Evangelho referente a festa, no caso, o da Entrada de Jesus em Jerusalém.

Segue-se a procissão com algumas orações e canções próprias da festa, rumo ao local principal, comunidade ou igreja matriz, onde a Santa Missa ou Celebração tem sua continuidade. No trajeto em meio as canções, os fieis acenam seus ramos e revivem a Entrada de Jesus em Jerusalém, é comum a entonação de palavras de ordem como: “Viva Jesus! Nosso Rei”, “Rei, rei, rei, Jesus é nosso Rei!” e o simples “Viva Jesus!”

Na Solenidade do Domingo de Ramos a entrada triunfal de Cristo em Jerusalém, como a sua Paixão, estão intrinsicamente unidas. Sendo que, a Igreja relembra a ligação dos momentos de aclamação do Cristo como rei pela multidão, e o pedido de crucificação pela mesma multidão na sexta. Assim, o Domingo de Ramos é na verdade a solene abertura da Semana Santa.

Por serem consideradas pela Igreja Católica como sacramentais, após a celebração as folhas de palmeira sobradas são guardadas para serem queimadas e suas cinzas usadas na Quarta-feira de Cinzas do ano seguinte. Também é costume entre os fiéis a queima dos ramos em suas casas em épocas de grande chuva ou de dificuldades espirituais.

No Oriente

A festa tem o nome de “Entrada do Senhor em Jerusalém”, e é considerado uma das doze grandes festas solenes do ano litúrgico ortodoxo, sendo também como no ocidente celebrada um domingo antes do “Domingo Páscoa do Senhor”. São 3 dias importantes posteriores a Grande Quaresma, a saber:

  • Sábado de Lazaro (festa que comemora a ressurreição de Lazaro),
  • Domingo de Ramos,
  • Domingo de Páscoa.

A festa da “Entrada do Senhor em Jerusalém”, marca o início da Semana Santa. Porem ela é antecipada pelo “Sábado de Lazaro” (dia anterior) que normalmente é dedicado para que os fiéis preparem os ramos, onde as folhas de palmeiras são trançadas de modo a formar cruzes para a procissão; podendo ainda, serem usados ramos de oliveiras.

Como no ocidente os ramos, são abençoados e distribuídos aos fiéis normalmente acompanhados de velas na Vigília da noite, que antecede a Divina Liturgia do domingo festivo da “Entrada do Senhor em Jerusalém”.

Referências:

  • Livros: Catecismo da Igreja Católica, Bíblia Católica Ave Maria

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