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Jesus diante de Pilatos (1881), Mihály Munkácsy

A prerrogativa de traição à Jesus sempre esteve nessa temática bíblica que começou no orto quando do beijo de Judas e que se estendeu no texto de São Mateus 27, 15-26; quando o povo clama por Barrabás, fato que se configura como o maior manifesto de abandono de Jesus: “Era costume que o governador soltasse um preso a pedido do povo em cada festa de Páscoa. Ora, havia naquela ocasião um prisioneiro famoso, chamado Barrabás. Pilatos dirigiu-se ao 

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Jesus diante de Pilatos (1566-67), Tintoretto – Pilatos lava as mãos

povo reunido: Qual quereis que eu vos solte: Barrabás ou Jesus, que se chama Cristo? (Ele sabia que tinham entregue Jesus por inveja.) Enquanto estava sentado no tribunal, sua mulher lhe mandou dizer: Nada faças a esse justo. Fui hoje atormentada por um sonho que lhe diz respeito. Mas os príncipes dos sacerdotes e os anciãos persuadiram o povo que pedisse a libertação de Barrabás e fizesse morrer Jesus. O governador tomou então a palavra: Qual dos dois quereis que eu vos solte? Responderam: Barrabás! Pilatos perguntou: Que farei então de Jesus, que é chamado o Cristo? Todos responderam: Seja crucificado! O governador tornou a perguntar: Mas que mal fez ele? E gritavam ainda mais forte: Seja crucificado! Pilatos viu que nada adiantava, mas que, ao contrário, o tumulto crescia. Fez com que lhe trouxessem água, lavou as mãos diante do povo e disse: Sou inocente do sangue deste homem. Isto é lá convosco! E todo o povo respondeu: Caia sobre nós o seu sangue e sobre nossos filhos! Libertou então Barrabás, mandou açoitar Jesus e lho entregou para ser crucificado”.

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Entrada de Cristo em Jerusalém (1617), Sir Anthony van Dyck

No entanto, se voltarmos um pouco antes, encontramos relatos de um povo que acolhe, saúda, exalta e conclama o messias de forma magistral, quando da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém narrada no evangelho de São Mateus 21, 8-11: “Então a multidão estendia os mantos pelo caminho, cortava ramos de árvores e espalhava-os pela estrada. E toda aquela multidão, que o precedia e que o seguia, clamava: Hosana ao filho de Davi! Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto dos céus! Quando ele entrou em Jerusalém, alvoroçou-se toda a cidade, perguntando: Quem é este? A multidão respondia: É Jesus, o profeta de Nazaré da Galileia”. Essa passagem é mencionada nos quatro evangelhos canônicos: em Mateus 21,1-11, em Marcos 11,1-11, em Lucas 19,28-44 e em João 12,12-19. Fato marcante que acontece pouco antes da crucificação e do drama de Jesus ao ser preterido diante de uma multidão que vai pedir por Barrabás.

  • Mas o que levaria esse povo que lançou roupas ao chão para que o Messias passasse, mudasse de lado e deixasse de gostar de Jesus cerca de uma semana após acenar a ele de forma honrosa?
  • Por que o povo abandonou Jesus?
  • Ou ainda, o que levou o povo as ruas para pedir a libertação de Barrabás em detrimento à Jesus?

Muitos acreditavam que Jesus era um revolucionário, talvez ao ouvi-lo dizer sobre espada, imaginaram que ele veio para a guerra contra o Império Romano, São Mateus 10, 34-36: “Não julgueis que vim trazer a paz à terra. Vim trazer não a paz, mas a espada. Eu vim trazer a divisão entre o filho e o pai, entre a filha e a mãe, entre a nora e a sogra, e os inimigos do homem serão as pessoas de sua própria casa”. ; no entanto, Jesus falava sobre escolhas e decisões que os homens haveriam de tomar por conta dele. Na aquela época, como agora, as pessoas ainda se perdem ao ver o mundo apenas pelo olhar material e não entendiam a batalha que Jesus estava travando – “Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal (espalhadas) nos ares”.  Efésios 6, 12. Naquele dia diante de Pilatos Jesus deu a resposta mais clara de que o Reino dele não era aqui: “Respondeu Jesus: O meu Reino não é deste mundo. Se o meu Reino fosse deste mundo, os meus súditos certamente teriam pelejado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu Reino não é deste mundo”. João 18, 36

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Ecce Homo (1475-80), Bosch Hieronymus

Nem todo o povo estava contra Jesus, mas muitos estavam amedrontados, afinal os lideres da época e os sacerdotes judeus, estavam trabalhando para que o povo se levantasse contra Jesus: “Mas os príncipes dos sacerdotes e os anciãos persuadiram o povo que pedisse a libertação de Barrabás e fizesse morrer Jesus”. São Mateus 27, 20. O povo pediu Barrabás inflamado por pessoas, mesmo sabendo de quem se tratava ser Barrabás:“Havia na prisão um, chamado Barrabás, que fora preso com seus cúmplices, o qual na sedição perpetrara um homicídio”. Marcos 15, 7.

No entanto, a resposta dada por Jesus a Pilatos que foi narrada no evangelho de São João 19, 11b: “Não terias poder algum sobre mim, se de cima não te fora dado”. ; expressa em definitivo e bom tom a dimensão mundial do que estava acontecendo em Jerusalém e ainda afirmando em seguida a tentativa do mal em destruí-lo usando do povo: “Por isso, quem me entregou a ti tem pecado maior” .São João 19, 11d.

Conclui-se portanto que se Jesus tivesse sido livre Deus iria realizar a expiação que precisava ser feita de outra maneira conforme Jesus declara a pilatos em São João 18, 37: “É para dar testemunho da verdade que nasci e vim ao mundo. Todo o que é da verdade ouve a minha voz”. ; o que caracteriza que o povo foi insuflado a pedir o errado por ação daqueles que perpetravam contra o bem e achavam que assim destruiriam a Jesus e seu projeto salvífico.

Ver também:

Referências:

  • Site: Wikipédia / Artebible
  • Livros: Bíblia Católica, Catecismo da Igreja Católica e Youcat.