Papa-Francisco-1Na última quinta-feira (02/08), diante de estudantes jesuítas que participavam do Encontro “European Jesuits in Formation”, na cidade Roma, o Papa Francisco falou sobre a consequência do desemprego na vida dos jovens.

Entre alguns pontos abordados pelo papa, ganhou destaque o suicídio juvenil, onde apontou o grande número de jovens que escolhem esta aterrorizante saída para o fim dos seus problemas:

“O número de suicídios de jovens está aumentando, e os governos, não todos, não publicam os números exatos: publicam-no até certo ponto, porque é vergonhoso. ” E questionou:  “Por que estes jovens se enforcam e se suicidam? Em quase todos os casos a principal razão é a falta de trabalho. Não conseguem se sentir úteis”.

O papa também falou da alienação: “Outros jovens não optam pelo suicídio, mas buscam a alienação, buscam dependências, e hoje a dependência é um modo de fugir da falta de dignidade. Pensem que por detrás de cada dose de cocaína há uma grande indústria mundial que possibilita isso, e provavelmente, é onde circula a maior quantidade de dinheiro no mundo”.

Lembrou também que, por outro lado, existem jovens que buscam uma saída inconsequente que gera um outro tipo de mal, a ele e ao outro. São os jovens que se envolvem com grupos extremistas de guerrilha: “outros jovens, através do celular, encontram coisas que envolvem como projeto de vida: ‘Ah, eu pego um avião e entro para o ISIS. Pelo menos vou ter milhares de dólares todos os meses e algo para fazer’. Isso é verdade, acontece! ”.

E finalizou: “Suicídios, dependências e participação em guerrilhas são as três opções para os jovens de hoje quando não têm trabalho”, sublinhou.

Ao arrematar o assunto Francisco indicou que para solucionar o problema as pessoas envolvidas precisam arregaçar as mangas: “o problema tem solução, mas precisa encontrar o modo certo, há necessidade da palavra profética, há necessidade da criatividade humana, fazer muitas coisas. É necessário sujar as mãos”.

Deixando claro que o suicídio é o fracasso da sociedade em conseguir inserir e acolher uma pessoa.

A destruição da dignidade

O papa explicou que quando uma pessoa perde a sua dignidade de vida, se sentindo um nada, isso é fundamental para que ela busque saídas extremas. Um exemplo é a sensação de se sentir derrotada, quer seja pela falta de oportunidades ou pela falta de um emprego.

Francisco se expressou sobre o assunto dizendo que “a pessoa sem um trabalho se sente sem dignidade. A falta de trabalho destrói a dignidade ainda mais. Não se trata do fato de não poder comer, porque sempre podem ir à uma Caritas, onde te oferecem comida. O problema é não poder levar o pão para casa: isso destrói a dignidade”. E continuou: “quando vemos tantos jovens sem trabalho, deveríamos nos perguntar por quê. Certamente encontrarão a razão: existe uma reestruturação da economia mundial, onde a economia, que é concreta, deixa lugar à finança, que é abstrata. No centro, há a finança, e a finança é cruel: não é concreta, é abstrata”.

Numa forte referência de que o concreto que é o ser humano está fora do centro da vida e o abstrato que é o mundo das finanças está ocupando o lugar que é do homem e da mulher. “O grande pecado contra a dignidade da pessoa: tirar a pessoa do ponto central”.

Equipe Mais de Deus

Fonte: Vatican News