Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes, nasceu em Salvador no dia 26 de maio de 1914 — e faleceu também em Salvador em 13 de março de 1992, aos 78 anos. Era conhecida como Irmã Dulce, Beata Dulce dos Pobres ou Bem-Aventurada Dulce dos Pobres.

Sua vida foi marcada por obras e atitudes de caridade, bem como assistência para com quem mais precisava, sua dedicação para com os mais necessitados lhe renderam o adjetivo de “o anjo bom da Bahia”.

Irmã Dulce foi uma das mais notáveis, influentes e notórias ativistas humanitárias do século XX. Suas grandes obras de caridade são referência nacional, e ganharam repercussão pelo mundo. Seu nome é sempre relacionado à caridade e amor ao próximo.

Uma das mais importantes e famosas obras de caridade é o Hospital Santo Antônio, que foi construído no lugar do galinheiro do Convento Santo Antônio. Hoje atende diariamente mais de cinco mil pessoas.

A história de Irmã Dulce

Ainda quando menina prestava assistencialismo aos pobres na casa da família, o local ficou tão conhecido que passou a ser chamado de a “ Porta de São Francisco” tal a quantidade de pobres que se reuniam a sua porta.

Após se formar professora no ano de 1932, Maria Rita entrou para o convento da Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, em 08 de fevereiro de 1933, na cidade de São Cristóvão, em Sergipe. Sua profissão de fé e os votos perpétuos se deram em 13 de agosto de 1933, recebendo o nome de Irmã Dulce, como homenagem a sua mãe aos 19 anos.

No ano de 1934, já de volta a salvador, passou a lecionar no colégio Santa Bernadete, da sua Congregação, na cidade Baixa, nas horas vagas prestava assistência nas comunidades pobres da cidade.

Aos 22 anos, atuou na causa operária, e com ajuda do Frei Hildebrando Kruthanp; fundou em 1936 a União Operária São Francisco, primeiro movimento cristão/católico operário da Bahia. Depois o Círculo Operário da Bahia que tinham como finalidade a difusão das cooperativas, a promoção cultural e social dos operários e a defesa dos seus direitos.

Sua vida era de luta e dedicação a causa dos mais necessitados, em 1939, depois de grandes lutas inaugurou o Colégio Santo Antônio, voltado para os operários e seus filhos.

Sem ter lugar aonde abrigar os doentes que recolhia nas ruas, invadiu cinco casas na Ilha do Rato, em Salvador. Foi expulsa e como alternativa dividiu os doentes em várias casas emprestadas;

Em 08 de janeiro de 1941, concluiu o curso oficial de farmácia e iniciou a obra do quilo para ajudar as famílias carentes. No ano de 1946 trabalhou arduamente para entronizar o Sagrado Coração de Jesus nas fabricas de Itapagipe.

Em 1949 conseguiu inaugurar o hospital Santo Antônio, obra essa que teve sua origem em um galinheiro do Convento de Santo Antônio, que foi transformado em Albergue e depois, hospital que no futuro seria o centro de um complexo médico, social e educacional. Mesmo com a saúde frágil, Irmã Dulce construiu e manteve uma das maiores e mais respeitadas instituições filantrópicas do país — as Obras Sociais Irmã Dulce.

Em 1980, durante a primeira visita do Papa João Paulo II ao Brasil, Irmã Dulce foi convidada a subir ao altar para receber uma bênção especial. O Papa retirou do bolso um rosário e ofereceu a ela dizendo: “Continue, Irmã Dulce, continue”

Em 1988, foi indicada para o Prêmio Nobel da Paz, pelo então presidente do Brasil José Sarney, com o apoio da rainha Silvia da Suécia.

Em 2000, foi distinguida pelo Papa João Paulo II com o título de Serva de Deus. O processo de beatificação de Irmã Dulce tramitou na Congregação para as Causas dos Santos do Vaticano.

Em mais de cinquenta anos de entrega total à caridade e amor ao próximo, em 11 de novembro de 1990, Irmã Dulce começou a apresentar problemas respiratórios, sendo internada no Hospital Português da Bahia, depois transferida à UTI do Hospital Aliança e finalmente ao Hospital Santo Antônio. Em 20 de outubro de 1991, recebe no convento, em seu leito de morte, a segunda visita do Papa João Paulo II ao Brasil para receber a bênção e a extrema unção.

O “anjo bom da Bahia” morreu em seu quarto, de causas naturais, aos setenta e sete anos, às 16:45 do dia 13 de março de 1992, ao lado de pessoas queridas por ela, como as irmãs do convento. Seu corpo foi sepultado no alto do Santo Cristo, na Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia e depois transferido para a Capela do Hospital Santo Antônio, centro das Obras Sociais Irmã Dulce.

Processo de Beatificação

  • 21 de janeiro de 2009, a Congregação para as Causas dos Santos do Vaticano reconhece Irmã Dulce como venerável.
  • 03 de abril de 2009, o Papa Bento XVI aprovou o decreto de reconhecimento de suas virtudes heroicas.
  • 09 de junho de 2010, o corpo de Irmã Dulce foi desenterrado, exumado, velado e sepultado pela segunda vez, sendo este o último estágio do processo de beatificação.
  • 27 de outubro de 2010, foi anunciada pelo cardeal arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, Dom Geraldo Majella Agnelo, tornando-a a primeira bem-aventurada da Bahia.
  • 22 de maio de 2011, Irmã Dulce foi beatificada em Salvador, e passou a ser reconhecida como “Bem-Aventurada Dulce dos Pobres”. Mesma ocasião em que o dia 13 de agosto se tornou, oficialmente, a data da celebração de sua festa litúrgica, que é comemorada em Salvador, e em pelo menos 28 igrejas e capelas de outros estados.
  • 13 de maio de 2019, o Papa Francisco decreta que seja preparada a celebração de canonização de Irmã Dulce.

Além da igreja Católica, a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, destaca um dia para uma festa litúrgica que passará a ser celebrada em 13 de março nessa denominação.

Equipe Mais de Deus

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