Eucaristia-03Nos baseamos num excelente texto do Pe. Gerson Schmidt – incardinado na Arquidiocese de Porto Alegre – que fez uma pequena reflexão a celebração eucarística na Igreja Primitiva.

“Terminadas as orações e as ações de graças, todo o povo presente prorrompe numa aclamação dizendo: Amém. Depois de o presidente ter feito a ação de graças e o povo ter respondido, os que entre nós se chamam diáconos distribuem a todos os que estão presentes pão, vinho e água ‘eucaristizados’ e levam (também) aos ausentes“ (CIC, 1345), testemunha São Justino Mártir, ao narrar como os primeiros cristãos celebravam a Eucaristia.

“Falamos aqui em nosso estudo das origens da Eucaristia na Igreja Primitiva. O liturgista Boyer disse que se formos às fontes para descobrir a primeira Eucaristia, as celebrações da Missa na Igreja Primitiva, encontraremos uma verdadeira explosão festiva que é uma árvore viçosa de vida.

E celebração da Eucaristia primitiva é um processo pascal, um caminho aberto para a Páscoa de Cristo, é como uma estrela, uma luz forte e verdadeira que se eleva sobre a história, o todo o caminho litúrgico no decorrer dos séculos. Dom Botte, que foi uma alma da renovação litúrgica do concilio, passou sua vida estudando as fontes. Somente pela tradução de alguns textos primitivos, que narram como a Eucaristia era celebrada pelos primeiros cristãos, Botte pôs fim a muitas discussões interpretativas de muitos teólogos.

Um dos textos belíssimos sobre a Eucaristia dos primeiros séculos que temos a disposição no atual Catecismo da Igreja Católica é o de São Justino, que viveu no ano de 150, que nasceu em Samaria, que, em sua apologia, não escreve na intenção de explicar a liturgia, mas de defender os cristãos do imperador pagão Antonino Pio (138-161), acusados que foram de fazerem reuniões estranhas.

Encontramos no Catecismo da Igreja Católica, em seu capitulo número 1345, que diz: “Desde o século II temos o testemunho de S. Justiço Mártir sobre as grandes linhas do desenrolar da Celebração Eucarística, que permaneceram as mesmas até os nossos dias para todas as grandes famílias litúrgicas.

Eucaristia-04Outra fonte destacada e de grande importância foi escrita pelo ano de 155, para explicar ao imperador pagão Antonino Pio (138-161) o que os cristãos fazem: “No dia ‘do Sol’, como é chamado, reúnem-se num mesmo lugar os habitantes, quer das cidades, quer dos campos. Leem-se, na medida em que o tempo o permite, ora os comentários dos Apóstolos, ora os escritos dos Profetas. Depois, quando o leitor terminou, o que preside toma a palavra para aconselhar e exortar à imitação de tão sublimes ensinamentos. A seguir, pomo-nos todos de pé e elevamos nossas preces por nós mesmos (…) e por todos os outros, onde quer que estejam, a fim de sermos de fato justos por nossa vida e por nossas ações, e fiéis aos mandamentos, para assim obtermos a salvação eterna. Quando as orações terminaram, saudamo-nos uns aos outros com um ósculo.

Em seguida, leva-se àquele que preside aos irmãos pão e um cálice de água e de vinho misturados. Ele os toma e faz subir louvor e glória ao Pai do universo, no nome do Filho e do Espírito Santo e rende graças (em grego: eucharístia, que significa ‘ação de graças’ longamente pelo fato de termos sido julgados dignos destes dons). Terminadas as orações e as ações de graças, todo o povo presente prorrompe numa aclamação dizendo: Amém. Depois de o presidente ter feito a ação de graças e o povo ter respondido, os que entre nós se chamam diáconos distribuem a todos os que estão presentes pão, vinho e água ‘eucaristizados’ e levam (também) aos ausentes“ (CIC, 1345).

Acrescentamos ainda outros testemunhos dos primeiros cristãos:

Epístola de Santo Inácio de Antioquia aos Esmirnenses”, (67 – 110 D.C.)  (clique no link e acesse nosso registro da epístola) que a caminho de Roma, escreveu cartas às comunidades da Igreja em Éfeso, Magnésia, Trales, Filadélfia, Esmirna e ao bispo São Policarpo de Esmirna.

“Abstêm-se eles da Eucaristia e da oração, por que não reconhecem que a Eucaristia é Carne de nosso Salvador Jesus Cristo, Carne que padeceu por nos­sos pecados e que o Pai, em Sua Bondade, ressuscitou.” (Epístola aos Esmirnenses: Cap. VII; Santo Inácio de Antioquia)

 

Eucaristia-04---Emaus

Jesus com os discípulos de Emaús na partilha do pão

Relato de Santo Irineu de Lião, (130-202) eminente teólogo ocidental, confirma-nos o Sacrifício que era prestado pelos primeiros cristãos figurado no Sacrifício de Cristo. Em outra obra ele ressalta a importância e a transubstanciação na Eucaristia:

“(Nosso Senhor) nos ensinou também que há um novo Sacrifício da Nova Aliança, Sacrifício que a Igreja recebeu dos Apóstolos, e que se oferece em todos os lugares da Terra ao Deus que se nos dá em Alimento como Primícias dos favores que Ele nos concede no Novo Testamento. Já o havia prefigurado Malaquias. (…) O que equivale dizer, com toda a clareza, que o povo primeiramente eleito não havia mais de oferecer sacrifícios, senão que em todo lugar se ofereceria um Sacrifício puro, e que seu Nome seria glorificado entre as nações.” (Adversus Haereses)

 

O catecismo cristão do Didaqué (clique no link e acesse nosso registro do didaque) escrito por volta do ano 120 A.D., que trata do culto cristão e da celebração dos primeiros crentes após transcrever regras a respeito da celebração da Eucaristia. Diz:

“Que ninguém coma nem beba da Eucaristia sem antes ter sido batizado em Nome do Senhor, pois sobre isso o Senhor disse: ‘Não dêem as coisas santas aos cães’.” (Didaqué, Cap. IX, Nº 5)
Que em outro texto fala sobre as reuniões eucarísticas:

“Reúnam-se no Dia do Senhor para partir o Pão e agradecer, após ter confessado seus pecados, para que o Sacrifício seja puro.”  (Didaqué, Cap. XIV, nº 1)

Texto retirado do site Vatican News

Equipe Mais de Deus

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